Divulgação de artistas nascidos ou residentes em Natal-RN
A imagem acima é de uma obra de Sofia Bauchwitz, graduada em Artes Visuais-UFRN. Desde que entrou para a faculdade, em 2008, participou de algumas exposições coletivas e individuais. Em 2011 foi selecionada para o I Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea e participou do edital de arte efêmera da Casa da Ribeira (Natal-RN)/Funarte, Arte na Praia-2011, com os projetos "Ventemos" e "Ao mar o que é do mar".
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Grande show: Juliano Ferreira, Roberto Taufic e Cacau Vasconcelos
A Casa da Ribeira (Natal-RN) terá uma grande noite musical com os instrumentistas Juliano Ferreira, Roberto Taufic ( violões) e Cacau Vasconcelos (voz). Este último é baiano, radicado em Natal. Roberto Taufic nasceu em Honduras, mas se criou em Natal, tendo se mudado para Turim-Itália em 1989. Juliano Ferreira (conhecido também como Jow-Jow, no meio artístico) nasceu em Natal e morou em Montreal-Canadá, onde fez mestrado em música.
Sao três grandes talentos que se reúnem para um evento musical de alto nível, que por certo marcará a história da Casa da Ribeira.
Quando: dia 23 de fevereiro de 2012 (uma quinta-feira).
Hora: 20h30.
Venda de ingressos no local.
Patrocínio: HAZBUN Construtora e Deputado Estadual Fernando MINEIRO.
Marcadores:
Cacau Vasconcelos,
casa da ribeira,
Juliano Ferreira,
Roberto Taufic
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Lançamento de "Cores & Filmes"
Dia 25 passado, a professora/pesquisadora Maria Helena Braga e Vaz da Costa (Departamento de Artes-UFRN-Natal-RN) lançou, na livraria Siciliano do Midway Mall, o livro CORES & FILMES: UM ESTUDO DA COR NO CINEMA, publicado pela Editora CRV, de Curitiba.
Trata-se de uma obra de referência num campo pouco explorado e que, por certo, subsidiará pesquisadores, estudantes de Comunicação, Artes Visuais e demais interessados.
Onde encontrar: na Livraraia Siciliano (Midway Mall-Natal-RN), online (em muitas livrarias)
e no site da Editora CRV.
Trata-se de uma obra de referência num campo pouco explorado e que, por certo, subsidiará pesquisadores, estudantes de Comunicação, Artes Visuais e demais interessados.
Onde encontrar: na Livraraia Siciliano (Midway Mall-Natal-RN), online (em muitas livrarias)
e no site da Editora CRV.
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| A autora |
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Almandrade expõe na Caixa Cultural-SP
Mostra documenta cerca de 40 anos de arte do artista plástico baiano.
Entre os dias 03 de dezembro de 2011 e 26 de fevereiro de 2012 estará
em exposição na Caixa Cultural SP a mostra “Almandrade - esculturas,
objetos, pinturas, desenhos, instalação e poemas visuais”. Esta
exposição tem caráter comemorativo e documenta cerca de 40 anos de
arte do artista plástico Almandrade. A entrada é franca.
Esta exposição é um recorte do seu trabalho elaborado em mais de três
décadas de utilização do objeto de arte para estimular o pensamento e
provocar a reflexão, segundo critério fundamentados na racionalidade,
na materialidade e, não por acaso, na economia de dados, sem deixar
que conceitos se sobreponham ao fazer artístico. Almandrade compromete-se
com a pesquisa de linguagens artísticas que envolve artes plásticas,
poesia e conceitos. No percurso do artista, destaca-se a passagem pelo
concretismo e a arte conceitual, nos anos 70, o que contribuiu
fortemente com a incessante busca de uma linguagem singular, limpa, de
vocabulário gráfico sintético. De certa forma, um trabalho que sempre
se diferenciou da arte produzida na Bahia.
O trabalho de Almandrade, tanto pictórico quanto linguístico, vem se
impondo, ao longo de todos esses anos, como um lugar de reflexão,
solitário e à margem do cenário cultural baiano. Depois dos primeiros
ensaios figurativos, no início da década de 70, conquistando uma
Menção Honrosa no I Salão Estudantil, em 1972, sua pesquisa plástica
se encaminha para o abstracionismo geométrico e para a arte
conceitual. Como poeta, mantém contato com a poesia concreta e o
poema/processo, produzindo uma série de poemas visuais. Com um estudo
mais rigoroso do construtivismo e da Arte Conceitual, sua arte se
desenvolve entre a geometria e o conceito. Desenhos em preto-e-branco,
objetos e projetos de instalações, essencialmente cerebrais, calcados
num procedimento primoroso de tratar questões práticas e conceituais,
marcam a produção deste artista na segunda metade da década de 70.
Redescobre a cor no começo dos anos 80 e os trabalhos, quer sejam
pinturas ou objetos e esculturas, ganham uma dimensão lúdica, sem
perder a coerência e a capacidade de divertir com inteligência.
Um escultor que trabalha com a cor e com o espaço e um pintor que
medita sobre a forma, o traço e a cor no plano da tela. A arte de
Almandrade dialoga com certas referências da modernidade, reinventando
novas leituras.
ALMANDRADE
(recebido por e-mail)
Entre os dias 03 de dezembro de 2011 e 26 de fevereiro de 2012 estará
em exposição na Caixa Cultural SP a mostra “Almandrade - esculturas,
objetos, pinturas, desenhos, instalação e poemas visuais”. Esta
exposição tem caráter comemorativo e documenta cerca de 40 anos de
arte do artista plástico Almandrade. A entrada é franca.
Esta exposição é um recorte do seu trabalho elaborado em mais de três
décadas de utilização do objeto de arte para estimular o pensamento e
provocar a reflexão, segundo critério fundamentados na racionalidade,
na materialidade e, não por acaso, na economia de dados, sem deixar
que conceitos se sobreponham ao fazer artístico. Almandrade compromete-se
com a pesquisa de linguagens artísticas que envolve artes plásticas,
poesia e conceitos. No percurso do artista, destaca-se a passagem pelo
concretismo e a arte conceitual, nos anos 70, o que contribuiu
fortemente com a incessante busca de uma linguagem singular, limpa, de
vocabulário gráfico sintético. De certa forma, um trabalho que sempre
se diferenciou da arte produzida na Bahia.
O trabalho de Almandrade, tanto pictórico quanto linguístico, vem se
impondo, ao longo de todos esses anos, como um lugar de reflexão,
solitário e à margem do cenário cultural baiano. Depois dos primeiros
ensaios figurativos, no início da década de 70, conquistando uma
Menção Honrosa no I Salão Estudantil, em 1972, sua pesquisa plástica
se encaminha para o abstracionismo geométrico e para a arte
conceitual. Como poeta, mantém contato com a poesia concreta e o
poema/processo, produzindo uma série de poemas visuais. Com um estudo
mais rigoroso do construtivismo e da Arte Conceitual, sua arte se
desenvolve entre a geometria e o conceito. Desenhos em preto-e-branco,
objetos e projetos de instalações, essencialmente cerebrais, calcados
num procedimento primoroso de tratar questões práticas e conceituais,
marcam a produção deste artista na segunda metade da década de 70.
Redescobre a cor no começo dos anos 80 e os trabalhos, quer sejam
pinturas ou objetos e esculturas, ganham uma dimensão lúdica, sem
perder a coerência e a capacidade de divertir com inteligência.
Um escultor que trabalha com a cor e com o espaço e um pintor que
medita sobre a forma, o traço e a cor no plano da tela. A arte de
Almandrade dialoga com certas referências da modernidade, reinventando
novas leituras.
ALMANDRADE
(recebido por e-mail)
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Almandrade
sábado, 17 de dezembro de 2011
Expo de Sofia Bauchwitz em Natal-RN
Sofia Bawchwitz é concluinte do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e vem se revelando como talentosa artista.
Dados curriculares:
Formação Acadêmica
2008-Atual
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Licenciatura em Artes Visuais (em andamento).
Experiência profissional
02/2011-Atual.
Instituto Ágora – Departamento de Ensino de Línguas Estrangeiras Modernas.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Professora estagiária de língua alemã.
06/2009-07/2011.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Bolsista do Programa de Bolsas de Iniciação Científica.
(Pesquisa em torno da Gravura Popular)
Idiomas
Português (Fluente)
Espanhol (Fluente, certificado pelo Diploma de Español como Lengua Extranjera)
Inglês (Avançado)
Alemão (Avançado, certificado pelo OnDaf online-Einstufungstest – Deutsch als Framdsprache)
Formação Complementar
2011
Albert-Lüdwigs Universität Freiburg im Breisgau (Freiburg im Breisgau, Alemanha)
Curso de inverno de Língua e Cultura Alemãs
Fomentado pelo Deutschland Akademischer Austaushdienst
2010
Fundação Capitania das Artes/Fundação Joaquim Nabuco (Natal, RN)
Curso introdutório de Arte Contemporânea (Workshop sobre História da Arte com a curadora Cristina Tejo)
2010
Espaço Cultural Casa da Ribeira (Natal, RN)
Paisagem e Cor (Workshop sobre Arte Ambiental com Fernando Limberger)
2010
Espaço Cultural Casa da Ribeira (Natal, RN)
Quando é Arte? Processos Criativos (Workshop sobre Fotografia com Rochelle Costi)
2005
Taller de Cine Pablo Alvort (Madrid, Espanha)
Especialista em Atuação I
Trabalhos completos publicados
2011 Vigilância e Memória: o olhar de Nan Goldin
Revista Verbejarte (CLAV-UFRN)
2009 Ir a los toros: la intimidad española de las toradas
Anais da XVII Semana de Humanidades. (CCHLA-UFRN)
Resumos publicados em anais de congressos
2010 Arte y Revelación de la deidad en Mark Rothko
Compendio de Resúmenes del XV Congreso Nacional de Filosofia (UBA, Argentina)
Apresentações de Trabalho
2011 Vigilância e Memória: A poética de Nan Goldin
III Semana de Artes Visuais (DEART-UFRN)
2011 Poéticas da Vigilância: o olhar de Nan Goldin
XIX Semana de Humanidades (UFRN)
2010 Arte y revelación de la deidad en Mark Rothko
XV Congreso Nacional de Filosofía (UBA, Argentina)
2009 Ir a los toros: la intimidad española de las toradas
XVIII Semana de Humanidades (UFRN)
2009 Arte como Paisagem: traduzindo pontos de vista
VII Encontro Interinstitucional de Filosofia (UFRN)
Produção Artística
Outros
2011 I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea
Obra selecionada
Exposição Individual
2011 Tua Ausência, Minha Presença (Funcarte - RN)
2011 Passa-gens (NAC/UFRN)
2009 Animais Literários (Funcarte - RN)
Exposições Coletivas
2011 Exposição Anual do GUAP -10 ANOS (Pinacoteca do Estado - RN/GUAP)
2011 Ao Mar o que é do Mar
Proposta de arte efêmera contemplada pelo edital ArtePraia 2011
(Casa da Ribeira/Funarte)
2011 Ventemos!
Proposta de arte efêmera contemplada pelo edital ArtePraia 2011
(Casa da Ribeira/Funarte)
2011 VER-O-SONHO (GUAP)
2011 Eu - Outro (CLAV)
2010 MAR - (GUAP/SBPC)
2010 Olhar a Cidade: Fragmentos (DEART/Arte na Escola)
2008 Prêmio Thomé Filgueira de Artes Visuais (FJA-RN)
2008 XII Salão de Artes Visuais (FUNCARTE-RN)
2008 qual a cor de deus?
Argumento e roteiro
Curta metragem (Coletivo Cine8)
Cenários
2011 Pontos de Vista
Cenário para programa de TV: Café Filosófico/TVU (Televisão Universitária - UFRN)
Marcadores:
Sofia Bauchwitz
domingo, 27 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
O artista hoje: entre o 'proponente' e o pedinte*
O artista hoje: entre o 'proponente' e o pedinte*
Por / Almandrade
O artista que passa o tempo recluso na solidão do ateliê, trabalhando,
desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do
pensamento, está em extinção. É coisa de museu.
Ou melhor, é raridade nos museus de arte, que estão deixando de ser
instituições de referência da memória para servir de cenários para
legitimação do espetáculo. Às vezes, com míseros recursos que ficamos até
sem saber direito: quando nos deparamos com baldes e bacias nessas
instituições, se são para amparar a goteira do telhado ou se se trata de
uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras
contemporâneas...
O que interessa na politica cultural nem sempre é a arte e a cultura, e,
sim, o *glamour*. Em nome da arte contemporânea, faz-se qualquer coisa que
dê "visibilidade".
As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos
editais públicos. Nunca se fez tantos editais neste País, como atualmente,
para, no fim das contas, fazer da arte um "suplemento cultural", o bolo da
noiva na festa de casamento.
Na fala do filósofo alemão Theodor
Adorno<http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno>:
"As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento
não são obras de arte". Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do
conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto
já não é mais o museu, que se multiplicou, juntamente com os chamados
"centros culturais", nos últimos anos.
Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes, eles disponibilizam
produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o
consumo, vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel,
na publicidade do concurso.
Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vêm ganhando força.
Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o
repasse de recursos, muito bem vendidos na mídia, como métodos de
democratizar o "acesso" e a "distribuição de verbas" para as práticas
culturais.
Mas nem são tão democráticos assim. Podem ser um instrumento possível e
eficiente em certos casos, mas não são a solução, é possível funcionarem,
também, como escudo, para dissimular responsabilidades pela produção,
preservação e segurança do patrimônio cultural.
Considerando-se, ainda, a contratação de "consultorias", funcionários,
despesas de divulgação, inscrição... o trabalho árduo e apressado de
seleção... é tudo, enfim, um custo considerável, que, em último caso, gera
"serviços" e renda.
O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente,
empresário cultural, "captador" de recursos, um especialista na área de
elaboração de projetos, com conhecimentos indispensáveis de "processo
público" e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo a esse
negócio burocrático, que é a elaboração e execução de projetos, prestações
de contas etc., todos contaminado pela lógica do *marketing*... coisas
incompatíveis com o artista em si, que apostou na arte como uma "opção de
vida" e com forma de conhecimento, algo que exige dedicação exclusiva...
Ou, pior ainda: o artista fica à mercê de uma "produtora cultural", para
quem essa política de editais e fomento à cultura é, aliás, um excelente
negócio...
Mais uma coisa é preocupante: e se essa política de editais se estender até
a sucateada área da saúde, por exemplo? Imaginem uma "seleção pública" para
pacientes do Sistema Único de Saúde, que necessitem de procedimentos
médicos... Os que não forem "democraticamente contemplados", teriam de
apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos
pedidos...
Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita aos limites da esfera
cultural... Na pior das hipóteses, é uma "torneira" que sempre se abre para
atender parte de uma superpopulação de artistas, proponentes, pedintes...
O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de
"bem comportado" em "preenchimento de formulário". E seu produto ficou
relegado ao controle dos burocratas do Estado, e à "boa vontade" dos
executivos de *marketing* das grandes empresas...
Se o projeto é bem apresentado, com boa "justificativa" de gastos e
retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado... se é mediano, se é
excepcional, não importa! O que importa é a "formatação", a "objetividade"
do orçamento, a clareza das "etapas" e a "visibilidade", o "produto
final"...
Como sempre, existem as chamadas exceções, mas...
*Almandrade*
(artista plástico, poeta e arquiteto)
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp
(recebido por e-mail)
Por / Almandrade
O artista que passa o tempo recluso na solidão do ateliê, trabalhando,
desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do
pensamento, está em extinção. É coisa de museu.
Ou melhor, é raridade nos museus de arte, que estão deixando de ser
instituições de referência da memória para servir de cenários para
legitimação do espetáculo. Às vezes, com míseros recursos que ficamos até
sem saber direito: quando nos deparamos com baldes e bacias nessas
instituições, se são para amparar a goteira do telhado ou se se trata de
uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras
contemporâneas...
O que interessa na politica cultural nem sempre é a arte e a cultura, e,
sim, o *glamour*. Em nome da arte contemporânea, faz-se qualquer coisa que
dê "visibilidade".
As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos
editais públicos. Nunca se fez tantos editais neste País, como atualmente,
para, no fim das contas, fazer da arte um "suplemento cultural", o bolo da
noiva na festa de casamento.
Na fala do filósofo alemão Theodor
Adorno<http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno>:
"As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento
não são obras de arte". Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do
conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto
já não é mais o museu, que se multiplicou, juntamente com os chamados
"centros culturais", nos últimos anos.
Com vaidade de supermercado, na maioria das vezes, eles disponibilizam
produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o
consumo, vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel,
na publicidade do concurso.
Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vêm ganhando força.
Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o
repasse de recursos, muito bem vendidos na mídia, como métodos de
democratizar o "acesso" e a "distribuição de verbas" para as práticas
culturais.
Mas nem são tão democráticos assim. Podem ser um instrumento possível e
eficiente em certos casos, mas não são a solução, é possível funcionarem,
também, como escudo, para dissimular responsabilidades pela produção,
preservação e segurança do patrimônio cultural.
Considerando-se, ainda, a contratação de "consultorias", funcionários,
despesas de divulgação, inscrição... o trabalho árduo e apressado de
seleção... é tudo, enfim, um custo considerável, que, em último caso, gera
"serviços" e renda.
O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente,
empresário cultural, "captador" de recursos, um especialista na área de
elaboração de projetos, com conhecimentos indispensáveis de "processo
público" e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo a esse
negócio burocrático, que é a elaboração e execução de projetos, prestações
de contas etc., todos contaminado pela lógica do *marketing*... coisas
incompatíveis com o artista em si, que apostou na arte como uma "opção de
vida" e com forma de conhecimento, algo que exige dedicação exclusiva...
Ou, pior ainda: o artista fica à mercê de uma "produtora cultural", para
quem essa política de editais e fomento à cultura é, aliás, um excelente
negócio...
Mais uma coisa é preocupante: e se essa política de editais se estender até
a sucateada área da saúde, por exemplo? Imaginem uma "seleção pública" para
pacientes do Sistema Único de Saúde, que necessitem de procedimentos
médicos... Os que não forem "democraticamente contemplados", teriam de
apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos
pedidos...
Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita aos limites da esfera
cultural... Na pior das hipóteses, é uma "torneira" que sempre se abre para
atender parte de uma superpopulação de artistas, proponentes, pedintes...
O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de
"bem comportado" em "preenchimento de formulário". E seu produto ficou
relegado ao controle dos burocratas do Estado, e à "boa vontade" dos
executivos de *marketing* das grandes empresas...
Se o projeto é bem apresentado, com boa "justificativa" de gastos e
retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado... se é mediano, se é
excepcional, não importa! O que importa é a "formatação", a "objetividade"
do orçamento, a clareza das "etapas" e a "visibilidade", o "produto
final"...
Como sempre, existem as chamadas exceções, mas...
*Almandrade*
(artista plástico, poeta e arquiteto)
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp
(recebido por e-mail)
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